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Hospedar-se no Brasil é caso de polícia

Como é de praxe em democracias liberais modernas como China, Cuba e Coréia do Norte, no Brasil os dados dos clientes são repassados sem muito alarde para os órgãos de segurança pública dos estados. Como diz a Associação Brasileira da Indústria dos Hotéis:
1. Ficha Nacional de Registro de Hóspede (FNRH) - os meios de hospedagem deverão fornecer mensalmente as informações previstas nos impressos Ficha Nacional do Registro de Hóspedes - FNRH, observando, para tanto, os procedimentos e exigências estabelecidos pelo Órgão Estadual de Turismo competente. As informações relativas a cada hóspede, constantes da FNRH, serão mantidas pelo período determinado pela unidade policial competente em cada Estado, ou, na ausência desta determinação, por um período mínimo de 3 meses; (grifo meu)
Mas não é só em hotéis. Até nos pacatos campings o ardor totalitário da Embratur queima a privacidade alheia:
Art. 1º - Fica instituído, nos termos do parágrafo único, do art. 25, da Resolução Normativa do CNTur nº 27, de 22 de julho de 1987, o modelo da Ficha Nacional de Registro de Hóspedes de Camping - FNRH.C, constante do Anexo Único, desta Deliberação Normativa.
Art. 2º - A Ficha referida no artigo anterior será de uso obrigatório dos Campings classificados pela EMBRATUR e preenchida, urna para cada módulo ocupado no empreendimento, em 3 vias.
Art. 3º - As segundas vias das fichas preenchidas deverão ser encaminhadas aos Órgãos Delegados da EMBRATUR, pelos responsáveis pelos Campings, até o dia l0 do mês seguinte ao de sua utilização.
Contudo, não chegamos ainda a nível da Bahia, que quer constituir um banco estadual de dados com todos os clientes de hotéis, coletando, inclusive, as impressões digitais dos usuários. E como é o praxe em países amantes da liberdade como a ilha-presídio de Fidel:
Durante a apresentação do sistema pelos técnicos da empresa Comtecno, foram destacadas algumas vantagens operacionais do Sihtur, como: consolidação e integração dos dados da Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNRH) para otimização do planejamento turístico do estado. geração de informações para órgãos oficiais de gestão de turismo, segurança pública e trade turístico; e soluções moduláveis em função das necessidades específicas de cada meio de hospedagem, agregando segurança e confiabilidade. (grifo meu)
Isso aí! A boa e velha desculpa da segurança pública, como se cadastro algum pudesse impedir crimes. Ou pior, tratando todos como suspeitos de crimes que não ocorreram e provavelmente nunca ocorrerão. E por que não, então, permitir que a polícia bisbilhote os dados pessoais dos turistas? Pois esta é a idéia de Mato Grosso do Sul:
Outra questão é a FNRH (Ficha Nacional de Registro de Hóspedes) em que vamos ser pioneiros no Brasil porque vamos implementar projeto para que a FNRH seja on line. Vou poder monitorar 24 horas qual é o movimento de turistas em Mato Grosso do Sul e desse movimento dependo para fazer o fluxo de turistas anual. Outra facilidade é que a Deca (Delegacia Especializada em Crimes Ambientais e Proteção ao Turista) também vai poder ter acesso a essas informações e controlar se há algum bandido. Qualquer hotel, desde que tenha internet, poderá enviar os dados. Será um salto de qualidade nas informações prestadas. E queremos, no máximo, até o final de fevereiro implantar [o sistema], pois já estamos em testes. Mato Grosso do Sul vai ser o único Estado brasileiro que vai ter essa ficha on line.
É, realmente, o Fernandinho Beira-Mar vai ir para um hotel em Campo Grande e vai dar seu endereço real. Assim como a Madre Teresa de Calcutá e a velha também.

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