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Se Azeredos não são o bastante

O Zero Hora de hoje reporta, em mais uma péssima reportagem, que a Polícia Federal (nome oficial, Departamento de Pornofacismo, daí o DPF) pretende discutir a implantação do Registro Único de Identidade Civil, também conhecida como Cadastro Único (CU), que foi proposto pela altamente inconstitucional Lei 9.454/1997 (copyright Pedro Simon 1995). A "deliciosa" reportagem começa assim:
Cerca de 10% de 160 milhões de carteiras de identidade que circulam no Brasil são falsas.

Totalizam 16 milhões de documentos frios que seguem ativos, em parte, devido à negligência das famílias e dos cartórios em dar baixa em casos de morte, mas, principalmente, por golpistas da Previdência, eleitores fantasmas e estelionatários.
De acordo com o anônimo escritor, e que entendo as razões do anonimato (nunca li algo tão ruim!), todo e qualquer documento de identificação relativo a uma pessoa morta é falso, porque o estado além de violar a privacidade do agora-defunto, quer que a família em luto vá dizer que o defunto é um defunto. E eu, na minha peculiar ignorância, pensava que documento falso é aquele que não corresponde a verdade dos fatos. Depois, num exemplo primoroso de pesquisa científica padrão Zero Hora, o repórter sem rosto afirma que o número mágico de "16 milhões de documentos frios" é causado por "golpistas da Previdência, eleitores fantasmas e estelionatários". Sem citar uma nenhuma fonte confiável, Sr. Sem Sobrenome esquece que tanto a Previdência como a Justiça Eleitoral têm seus cadastros de identidade próprios, e ambos passam por recadastramentos periódicos. E no ápice da reportagem:
Para pôr fim à farra da identidade falsa, o Instituto Nacional de Identificação (INI), da Polícia Federal, elaborou um modelo de documento que será debatido a partir de hoje em um seminário em Brasília. O evento reúne especialistas em identificação humana e autoridades. (grifo meu)
Não conheço o dito cujo que escreveu esta obra-prima mas sei que o mesmo é um membro da Seita do Santo Byte. De acordo com Mr. Anonymous (não o Gourmet), o sistema que seria elaborado pelo Departamento de Pornofascimo seria à prova de falsificações. Pois na Malásia que tem o sistema proposto pelo DPF, há falsificações, o que se dirá do Brasil? E para completar a lista de absurdos da reportagem:
Hoje, cada Estado produz o seu modelo de identidade
Errado! Como de costume. O modelo de documento de identidade é regulado por lei federal, a Lei 7.116/1983.

Como um plus, Zero Hora traz o modelo de Cartão de Extinção de Privacidade que está sendo proposto pelo governo do Presidente Etílico.

Comentários

Luiz Figueroa disse…
Essa lei (9454/97) é inconstitucional, violenta a dignidade das pessoas, equivale a pratica nazista de gravar numeros nos braços dos judeus, é inconcebivel que num estado que se diz democrático tal aberração tenha prosperado, é inconcebivel que em nome de uma "segurança" que certamente não vai se obter por esta forma as pessoas renunciem a um direito constitucional, ora será que para combater o crime as pessoas precisam renunciar aos seus direitos? Que autoritarismo é esse? O número é do documento, não da pessoa, dizem que haverá um "organismo central de controle", sic, isso cheira muito mal, nem a ditadura ousou ir tão longe, é tambem uma afronta ao pricípio federativo onde cada estado é responsável pela identificação civil das pessoas.
Se não abrirmos os olhos em breve seremos apenas Sr 1234567890-2.
Esperança disse…
Eu pensava que esse negócio de Cadastro Único - CU era uma piada, como dizia no email que recebi há anos atrás.

Neste país nada se cria mas tudo que não presta se aproveita.

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