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Treco anti-privacidade em carros é facilmente fraudado

No dia 3 de agosto, tinha denunciado que o imprestável Conselho Nacional de Trânsito (Contran) editou a Resolução 245, que obriga os carros fabricados no (e importados para o) Brasil a partir de 2009 tenham um aparato antiprivacidade que foi apelidado de treco anti-furto. Pois é, agora a máscara anti-furto cai, uma vez que esta não é baseada numa verdade.

O Folha de S.Paulo reporta que o dispositivo de controle dos cidadãos "é fraudado com técnicas simples" e a "massificação pode agravar o problema". A estrovenga, fruto de uma cabecinha clonada do ministro dos Transportes da União Soviética, vai causar aumentos de preços generalizados. Como diz o Folha:
Hoje os dispositivos podem custar até R$ 2.000, mas a projeção é que, em escala, eles possam sair próximos de R$ 150.
De acordo a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram licenciados no Brasil, 1.927.738 veículos. Com os preços de hoje, a palhaçada fascista custaria R$ 3.855.476.000, isso, bilhões, para que o governo possa saber onde tu andas. Só que tu deves estar achando que o HitlerSat Automotivo prevenirá roubos e furtos de carros. Errado! Nas palavras do sr. Francisco Javier Ramirez Fernandez, professor do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos da Escola Politécnica da USP:
[A medida cumprirá sua missão?] Provavelmente muito pouco. O aparelho não será grande problema para ladrões "profissionais".
(...)
É tecnicamente muito fácil localizar onde ele está dentro do carro e bloquear a transmissão do sinal.
(...)
Se há uma tecnologia padrão, fica ainda mais fácil descobrir como desarmá-la. E, se os aparelhos estiverem sempre no mesmo local, sua retirada fica ainda mais fácil.
Continuando a reportagem, temos o número anual de carros que são roubados ou furtados no Brasil, 380 mil, sendo que pouco menos do que a metade são recuperados. Considerando um valor médio de R$ 20.000 por carro roubado ou furtado, e considerando que 190 mil carros não são recuperados, o prejuízo anual é de R$ 3,8 bilhões. É, o prejuízo (que pode estar segurado), é um pouco menor do que o custo atual dos aparelinhos Contran-Odeia-Privacidade. E, em sendo obrigatório, não há motivos para que as empresas reduzam o preço, uma vez que haverá uma demanda constante; porque diabos eu cobraria R$ 150 se posso cobrar R$ 2.000?

A reportagem também dá outro dado interessante: a taxa de recuperação de veículos. A taxa dos assegurados pela Porto Seguro era de 96%, agora é de 75%, uma queda de 21 p.p.

E para quem quiser ficar ainda mais espantado, leia a reportagem sobre o lobby para aprovação desta bizarrice.

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