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Inducassão

As crianças da rede pública de ensino de Ourinhos, SP não estão apenas sob a égide de um ensino de má qualidade e com viés totalmente esquerdista. Agora, estas mesmas crianças estarão sendo catalogadas num "pioneiro" sistema digitalizado de identificação.

Tal projeto começou a ser implementado no dia 1º de março em toda a rede pública municipal de ensino, e, provavelmente, este projeto não conta com a autorização prévia dos pais de alunos; duvido muito que tal projeto tenha sido discutido com os pais de alunos em qualquer tempo numa discussão honesta com participantes argüindo os prós e contras de tal medida. O proponente de tal descabida e medonha medida foi o delegado Luiz Fernando Quinteiro de Souza, que é um ardoroso discípulo da seita "Existe Tecnologia 100% Confiável, e Esta Só Existe no Brasil" disse que "(o documento) dá pouca, ou nenhuma, margem para falsificação."

Souza não tem vergonha nenhuma de demonstrar seu autoritarismo cubano ao dizer:

Não podemos deixar que as pessoas saiam de casa sem qualquer tipo de documento, porque durante seu percurso ela pode sofrer um mal súbito e ser internada sem identificação. Um exemplo foi o caso de uma senhora, que no ano passado, foi atropelada na Rodovia Raposo Tavares. Ela ficou internada, inclusive em estado de côma, na Santa Casa de Ourinhos, sem identificação, por não portar nenhum documento” (grifo meu)
Ora só, quem sabe Souza traga alguns agentes cubanos para implementar suas idéias fortemente totalitárias. Tão absurdo como a idéia de não "deixar que as pessoas saiam de casa sem qualquer tipo de documento" foi o exemplo dado para corroborar sua idéia plagiada da Coréia do Norte. Talvez Souza quer amendontrar as criancinhas de que se elas não sairem de casa com documentos de identidade elas entrarão em "côma". Ou mais bizarro ainda afirmar que os não-portadores de documentos de identidade têm uma recuperação mais lenta, precisando de internação, algo que não ocorre com os portadores. Ou então, o mais provável, é que Souza aplauda o handling providenciado pela polícia chinesa para com Sun Zhigang.

Já para a Cecretária de Inducassão Balbinot diz que é "triste ver que muitos alunos da EJA ainda não possuem documento de identificação civil". É óbvio que Balbinot não explicou o que seria exatamente esta tristeza. Será que o não-porte de documentos de identidade prejudica a inducassão que Balbinot prega? Ou então Balbinot sofre de algum tipo de distúrbio mental que a deprime ver pessoas não portando documentos de identidade. Quem sabe Balbinot e Souza escrevam um livro que poderia se chamar Um Ensaio sobre as Influências de Documentos de Identidade na Normalidade Psico-Corpóreas e seu Potencial de Afetação de Terceiros.

E para fechar com chave de ouro em Ourinhos, Souza diz que o nazifacista projeto "partiu de uma idéia de inovar e trazer um pouco mais de cidadania para as pessoas. " Pois é, para o sr. delegado Souza há pessoas mais cidadãs e menos cidadãs e o coeficiente de cidadania é o porte de um pedaço de papel e não o fato da pessoa ser um ser humano, o que não importa ao sr. Souza.

Comentários

Carlos disse…
Somente alguém com muito pouco trabalho e/ou massa cinzenta (não é cimento, viu?)teria o desplante de perder tempo criticando uma medida que não conhece.
Vai trabalhar e, quem sabe, tirar seu RG.
Da próxima vez tenha mais coragem e se identifique.

Carlos
Liamara disse…
Oras, o poster Carlos deveria de iluminar a quem lê e quem escreveu com uma explicação sobre a medida que nos é desconhecida, então.

Mas ele tem RG e muitas identificações, é cidadão civilizado e oficialmente superior ao gado selvagem. Sua linguagem sofisticada não penetra em nossas massas acimentadas (ops).

Oh bolas, ficaremos na ignorância inumerada. (não confundir com enumerada viu?)
Anônimo disse…
Parabéns pelo artigo. As pessoas citadas no artigo parecem, de fato, confundir identificação com cidadania. Infelizmente, muitos em nosso país confundem cidadania com identificação ou com o fato da pessoa ser ou não eleitor, por exemplo. Como se uma criança que ainda não possui documentos ou que ainda não pode votar, não possuísse cidadania e não fosse titular de direitos na ordem jurídica.
Outro aspecto que observei no artigo é o absurdo do Delegado dizer que irá abordar pessoas na rua e obriga-las a provar que trabalham. Acho que ele está vivendo ainda no tempo da ditadura ou acredita que estamos em Cuba. Isso me cheira a abuso de autoridade...

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