Pular para o conteúdo principal

Por isso tu nunca o verás em discussões sobre a Lei Azeredo

André Lemos sabe das coisas relacionadas à tecnologia, vai ver por isso, ele não foi convidado para nenhuma discussão sobre a Lei Azeredo no Congresso Nacional. E eis a razão. Lemos publicou em seu blog o estudo Assessing the impact of CCTV do Home Office do Reino Unido, sim, aquele ministério onde Jacqui Smith manda e desmanda, para tristeza e desespero de britânicos. O estudo demonstra a ineficiência das câmeras de vigilância. Melhor foi o comentário de Lemos no post:
Acabo de ler as conclusões do relatório sobre o uso das CCTV, "Assessing the Impact of CCTV", do Home Office Research Study (2005), no Reino Unido. As conclusões reforçam mais uma vez a ineficiência das câmeras, o determinismo e a fé tecnocrática, bem como o gasto de dinheiro público. Aqui no Brasil, a adoção tem sido crescente e o discurso da segurança pela vigilância está presente em todos os debates nas atuais campanhas para prefeitos nas principais capitais brasileiras.

Vejam que em muitas passagens da conclusão do relatório o que está em jogo é a (in)eficiência das câmeras (e o problema apontado na gestão dos dispositivos dessas informações/imagens). Não há questionamento sobre o princípio, sobre a criação e a expansão de uma sociedade hiper-vigilante onde a mobilidade é esquadrinhada em tempo real, onde banalizar olhares intrusivos pode gerar mostruosidades individuais e coletivas.
Quem escreve isso nunca será convidado por Eduardo Azeredo para fazer contraponto aos absurdos que saem da boca do dito senador. Azeredo não pode correr o risco de ser desmoralizado em público.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Como clonar digitais

Recordar é viver. Em 18 de abril de 2008, eu mostrei como clonar impressões digitais, usando materiais extremamente sofisticados como cola de madeira, SuperBonder, câmera fotográfica papel de slide e impressora a laser (tipo de coisa que só gente com muito dinheiro e contatos conseegue ter). Como o link anterior quebrou, resolvi republicar esta matéria. Alguém por favor mande isto para o sr. Ricardo Lewandowski!

Para quem ainda tem alguma ponta de confiança na biometria, traduzo um guia prático de como fazer impressões digitais de outros para ti.
Como falsificar digitais?
Starbug no Chaos Computer Club

Para falsificar uma impressão digital é necessário uma primeiro. Digitais latentes nada mais são do que gordura e suor em objetos tocados. Desta forma, para capturar a impressão digital de alguém (neste caso, a que tu queres copiar), deve-se utilizar métodos forenses, o que será explicado aqui. (Foto 1)


Foto 1: Resíduo gorduroso duma digital

Boas fontes de impressões digitais são vidros…

Digitais falsas

Os Zé Cadastros que povoam o Brasil adoram afirmar a "confiabilidade" da identificação de pessoas por meio de impressões digitais, como, por exemplo, este texto do Instituto Nacional de Identificação da Polícia Federal:

O sistema datiloscópico é o método mais prático e seguro de identificação humana, razão por que tem sido largamente utilizado, desde a sua descoberta até os dias atuais, na área civil e criminal.

A identificação humana através das impressões digitais, é sem sombra de dúvida, a maneira pela qual pode-se afirmar ou negar a identidade de uma pessoa.Método mais prático e seguro? Eu não sabia que, agora, um sistema com uma taxa de falso-negativo de 15% seja prático e seguro. E também não sabia que a "identificação humana através das impressões digitais" seria a única maneira de afirmar ou negar a identidade de uma pessoa, ainda mais considerando que a universalidade (quão comum é entre as pessoas) das impressões digitais é considerada média. Além disso, de…

Venda de senhas do Infoseg

50 pessoas foram presas em todo o Brasil acusadas de venderem senhas de acesso para o Infoseg, uma rede de informações criminais mantidas pelo Ministério da Justiça. Desde abril, a Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, que mantém o sistema, já cancelou 5 mil senhas.
A operação deu-se nos estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul (uma tradição gaúcha), Goiás, Santa Catarina e Paraíba. Aí, o Secretário Nacional de Segurança Pública Ricardo Balestreri solta uma fenomenal: Não podemos deixar que a intimidades das pessoas seja devassadasNão terei o trabalho de comentar os erros de português mas a frase do secretário não pode ser mais ridícula uma vez que não corresponde à realidade dos fatos, onde a intimidade das pessoas são violadas diariamente simplesmente, por exemplo, estarem inscritas no CPF do Ministério da Fazenda, que alimenta dados para o Infoseg, embora tal rede só seja para "criminosos". Além disso, não podemos nos esquecer do comércio de s…